Cheguei a Santiago, capital do AR SECO, em um sábado com um clima DESÉRTICO e com o sol em grande fase, o uso de boné, boina ou quepe era OBRIGATÓRIO. Já tinha consciência do jogo que rolaria na tarde daquele sábado, em pleno Estádio Nacional, que outrora já fora palco de uma final de Copa do Mundo, hoje dava espaço para um duelo medieval entre ÁRABES e CRUZADOS, pela primeira rodada do Apertura chileno, ambos em busca do HUEMUL DE PLATA, troféu dado ao campeão nacional.
Ludibriado pelo GOOGLE MAPS, achei que a estação de metro estava ao lado do hotel onde estava hospedado, mas me enganei e enfrentei uma caminhada de 10 minutos, que pareceram 1 hora por causa do sol que mirava diretamente para o meu CUCURUTO. Chegando a estação Ñuble, a mais próxima do Estádio Nacional, fui novamente ludibriado pelo serviço de mapas online, que indicava o metro bem próximo ao estádio, mas tive que fazer mais uma caminhada longa sobre o calor ESCALDANTE da cidade de Santiago. O estádio não aparecia nunca no meu campo de visão, achei que tinha pegado o caminho errado, mas percebi um grupo de NÓRDICOS que parecia ter o mesmo objetivo que o meu, e não deu outra, do nada, o Estádio Nacional EMERGIU na minha frente.
Estava atrasado, o jogo já havia começado, e isso se refletia nas ruas em torno do estádio, nenhuma alma-viva próxima parecia respirar aquela partida, só chegando perto das bilheterias que percebi alguns HINCHAS do Palestino atrasados, comprando rapidamente seu ingresso para a batalha que já havia começado. Eu estava indeciso para que torcida eu ia me bandear, e o bom senso falou mais alto e acabei comprando um ingresso para a GALERIA do Palestino, que no dia, jogava de local. Me perdi na área interna do estádio já que não tinha nenhuma sinalização mostrando que ali teriam ÁRABES vendo um jogo de futebol, de súbito percebi que tinha perdido um gol da Católica, enquanto LOS CRUZADOS saltavam e gritavam de felicidade, eu havia achado um senhor com uma bancada cheia de produtos do Palestino (chaveiros, flâmulas e vários outros tipos de PENDURICALHOS) que me indicou a entrada certa. Lá ia eu, subindo as escadas para finalmente ver o jogo, percebo EXTÂSE da torcida em que me aproximava, e sim, gol do Palestino e mais um gol perdido por mim.
Finalmente o jogo, havia cerca de 100 pessoas (ou menos) na área destinada a torcida do Palestino, os CRUZADOS também decepcionaram e ocupavam pouquíssimos lugares, apesar disso, chego e me acomodo de pé ao lado de um senhor de baixa estatura, ele conversava com todos a sua volta, eu estava prestes a conhecer um EXPERT em Palestino e futebol em geral. Comecei a conversar com o senhor, perguntei quem tinha feito o gol e quem era o destaque do time, ele estranhou um pouco, logo me identifiquei como BRASILEÑO, e aí ele não parou de falar mais, ficou muito feliz que um estrangeiro tinha ido ver um jogo do Palestino. Ele se apresentou como Francisco (o senhor dá foto ao lado) e depois me apresentou para a BARRA BRAVA inteira (eram por volta de 10 pessoas), logo ele começou a contar ANEDOTAS das canchas chilenas, entre elas à de grandes brasileiros (?) que passaram pelo futebol chileno, a história mais curiosa era à de BENEDITO PEREIRA, beque central que segundo Don Francisco veio ao Chile para ser jogador de basquete e acabou sendo um dos símbolos dos tempos AÚREOS do pequeno Independiente de Cauquenes, hoje na quinta divisão do país. Don Francisco ENDEUSAVA Don Elías Figueroa, que estava presente no último CHILENÃO que o Palestino conquistou no ano de 1978, e bradava que DON ELÍAS tinha muita classe e foi o maior jogador na história daquele país. Do atual elenco ÁRABE ele admirava o capitão da equipe, Roberto Bishara, mais conhecido como Jeque (Sheikh) e que tem ascendência palestina e ainda por cima jogou pela SELEÇÃO PALESTINA, a capitania estava mais do que bem representada.
O jogo era bom, chances boas pra ambos os lados, ambos os arqueiros se destacaram, Toselli da Católica fez milagres, e FELIPÃO Núñez do Palestino(típico goleiro sul-americano, camisa colorida e cheia de Gustavo Cerati’s, além de FELIPAO nas mangas) parou quase tudo, menos um chute de Trecco, indefensável. A Católica venceu por 2 a 1, fiquei triste, mas quando vi a bandeira palestina tremulando acima do placar eletrônico vi que o clube tinha uma identificação única entre os times da metrópole chilena.
Saindo do estádio, CRUZADOS e ÁRABES saíam pacificamente juntos do estádio, o simpático senhor Francisco parou na bancada que vendia PENDURICALHOS do Palestino e me comprou um chaveiro, e depois conversando com um amigo, me arranjou um CAMELO DE PLÁSTICO (foto), falando que eram presentes para eu nunca mais me esquecer do Palestino, e realmente eu não esqueceria. Voltei ao metro conversando com Don Francisco, ele falava apaixonado de como o estádio era antigamente, se sentia o ALENTO e o CALOR do público, hoje não mais, o Estádio Nacional perdeu todo seu charme com o PROCESSO DE EUROPEIZAÇÃO que ele sofreu, cheio de cadeiras, o estádio perdeu todo seu ROMANTISMO que tinha por trás dele, um fato que destrói a mística do futebol sul-americano em geral.
Quando estávamos por nos despedir, ele me fez um convite, ir até o Estádio de La Cisterna (a casa do Palestino, segundo ele o MARACANÃ chileno, já que nunca fica cheio) no outro sábado, me daria a camisa tricolor do time caso eu fosse, infelizmente não pude ir, saí da cidade na sexta, creio que perdi uma grande história, mas ganhei um amigo de cancha e também um clube pra alentar, e como diz o único canto que a INTIFADA PALESTINA cantou durante o jogo, CHI CHI CHI, LE LE LE, PALESTINO DE CHILE, o clube árabe é um OASIS de histórias.
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